Felicidade é uma
palavra complicada de se definir e extremamente complexa na sua denominação.
Haja vista que por muitas vezes já tivermos a oportunidade de dizer em algum
momento da vida que estava "feliz". Parado no tempo, mais
precisamente em frente ao meu ventilador foi que refleti sobre minha vida, o
rumo que se seguia e até onde pude chegar. Tirei uma série de conclusões sobre
a sobre a minha vida. Então, para que a história comece de forma clara em sua
explicação, irei começar do ponto de partida da palavra felicidade.
Felicidade e realização
naquele momento se misturavam em minha vida. Nem ao menos tive tempo para
separar o joio do trigo e por isso que tal definição fora, de certo modo, mal
interpretada. Eu vivia em um momento o qual julgava feliz e realizado, em minha
melhor fase financeira e profissional. Me deleitava com amigos em festas.
Poderia até ser que o dinheiro não era lá uma fortuna e não era, mas também não
era um problema para quem tinha bons lugares e boas companhias. A regra era
clara, se divertir. Um grupo de amigos solteiros sabem muito bem como encontrar
diversão, conhecendo sempre um ao outro, tédio não existia. O final de semana
era esperado, mas a diversão não esperava pela típica sexta, pois já estava em
prática no início da noite de quinta. Lugar? Bom, era sempre variável, mas
nunca um lugar era menos divertido do que o outro, afinal éramos nós que
levávamos a diversão.
A falta de
comprometimento sentimental ajudou muito e com isso. Um desprendimento de pudor
incalculável nos faziam ser príncipes do prazer. Coitado de quem se prendia a
tal sentimento momentâneo, coitado de quem se via "apaixonado", pois
diante de tanta correia e diversão, ficaria para atrás quem se percebesse
apaixonado. E na fase em que vivíamos, ninguém queria ficar para atrás. Quinta,
sexta, sábado, domingo. Pois bem, nos julgávamos infelizes durante a semana
afim de desfrutar da quinta em diante e tirar o atraso de uma semana tediosa.
Contávamos as horas e os minutos para nos encontrar novamente e seguir em nossa
jornada. Até um fato veio atrapalhar nosso momento.
Em um final de semana
nos encontramos em uma cidade no interior do estado. Bem aconchegante e bem
divertida. Um pouco bêbado, me vi descontrolado por motivos bobos que nem ao
menos me lembro. Saí no carro e em uma ré bati em uma arvore e por pouco não
cai no rio. Saí só pela cidade e bebi mais ainda. Voltei e irresponsavelmente
bate o carro mais uma vez. No dia seguinte notamos os estragos. Não era lá um
estrago, mas como o carro não era meu já dá para se imaginar minha aflição. Pois
bem, o carro era do meu trabalho e eu apenas tinha a função de guardá-lo no
final do expediente. Para não se estender nesse assunto irei logo ao fato. Por
não ser meu, logo o assunto chegou aos meus superiores, sacudiu minha vida
financeira e principalmente profissional. Levei uma baita punição e um senhora
advertência, daí então deixei que a situação dominasse meu ânimo. Meus amigos
tentaram de certo modo me ajudar de alguma forma, mas sabe como é. Nem todos os
amigos estão no momento certo quando a gente mais precisa. Aliás, nem todos os
"amigos" eram amigos quando deveriam ser amigos. Em casa, diante do
meu ventilador, tive uma reflexão.
Uma das piores
sensações de quem tem carácter é ver um grande amigo perder a confiança em
você. Isso foi o que senti quando meu chefe que brigou tanto para que eu
tivesse uma melhor condição de trabalho, se afastar de mim de uma tal forma que
aos pouco essa condição foi se apartando de mim. Foi angustiante e, sem sombra
de dúvida, de matar de vergonha. Em casa, já em frente ao meu ventilador parei
para pensar e percebi o quanto eu tinha tudo que precisava e ao mesmo tempo
nada. Lembra de quando falei do desprendimento sentimental para não ficar para
atrás? Pois bem, quantos momentos verdadeiramente felizes eu deixei para atrás?
Quantas oportunidade de viver uma verdadeira alegria foi deixado de lado em
troca de momentos tão frágeis que em um conflito se desfragmentaria? Daí,
pensei pela primeira vez sobre minha felicidade. Como seria? Quando seria? Com
quem seria? Notei que um homem precisa muito mais do que dinheiro, carro,
festas e até amigos para se notar como homem de carácter. A consciência me
bateu e percebi que nunca fui um homem como eu sempre me imaginava. Notei que o
mundo e suas possibilidades eram bem maiores em seus valores do que em suas
quantidades. Descobri que eu poderia ser bem maior, sendo bem menor. E então
deixei minha vida seguisse a normalidade, sendo eu mesmo, mesmo que nem tão
normal assim.
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De volta ao ventilador
vi o tempo passar. Me envolvi em relacionamentos trágicos que esgotaram de mim
não somente o sentimental, mas financeiro também. Aos poucos fui me afundando
em uma depressão que pouco a pouco foi deixando aquela reflexão de felicidade
de lado. Me encontrei agora de forma minimalista e despretensiosa em braços de
outros amores, trocando outros sentimentos sem a pretensão de olhar para o
futuro. Pouco a pouco eu voltava a ser como antes. Não que eu quisesse, mas por
colecionar frustrações amorosas e ser alvo de tanta crítica. Mergulhei no
descompromisso sentimental, onde o sexo viria sempre em primeiro do que o amor.
De tanto tentar, de tanto buscar foi que me encontrei em braços também
despretensiosos e sem o puro sentimento. E me vi mais uma vez só. Diante de
tudo, me julguei experiente, sem saber que o amor era para amantes. Sem saber o
que era o amor, me vi desviando de possibilidades e me jogando em aventuras
quaisquer. Quando meu coração reagia a um possível sentimento, meu ego
profissional do amor logo se julgava como um Dom Roam do subúrbio, levando quem
me amava a me amar mais ainda e me possibilitando estar mais seguro do amor,
tendo em vista o seu princípio, meio e fim.
Pois bem, caro leito,
quanto mais a gente ama, mais a gente desconhece do amor. Era sempre diante do
ventilador que eu me descobria como gente. Eu queria de fato, alguém para amar
e ser amado. Por mais exigente que eu fosse, todo mundo tem esse direito. Comigo
não poderia ser diferente. Olhava para o lado vi grandes amigos se
transformando com as transformações do amor e eu simplesmente na mesmice. Me vi
acuado e sem perspectiva sentimental. O tédio tomava conta de mim e pouco a
pouco aquele estado me incomodava. Eu queria amar e ser amado. Eu tinha isso na
cabeça e levantava como uma bandeira. Até que um dia, conversando com um amigo
sobre isso percebo que eu não estava errado no que desejava, apenas na forma
que eu desejava. Notei que era um tanto egoísmo da minha parte pensar em mim em
contrapartida do amor, ou seja, eu queria somente ser amado em contrapartida
amar. Daí eu percebi que eu estava caindo no mesmo erro de muitos casamentos de
hoje em dia, casar para ser feliz. Percebi, diante do ventilador, que o amor
seja complicado ou não é reciproco e nunca injusto. Se um dia eu amar
verdadeiramente eu serei amado. E se um dia eu amar e não ser amado, é porque o
amor por mais verdadeiro que eu julgasse que fosse jamais deixaria que tal
injustiça fosse feita. Foi quando percebi que meu propósito deveria mudar. A
partir de então o meu coração buscava alguém para fazer feliz a ama-lo, pois se
existir de fato o amor, assim será naturalmente reciproco.
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