Deixei minha angustia de lado passei a me importar pouco com o tempo. Descobri sonhos, desejos e relações. Não amei, nem fui amado, e quando amei fui desprezado, mas dessa vez feliz, pois guardava comigo a certeza de que o amor pode ser poético, mas sempre será justo. E assim, tão normal segui. Segui em tantos cominhos que alguns até me perdi. Até que em uma conversa com um amigo, fui direto ao declarar - "Quero amar alguém!" - Surpreendentemente, esse amigo não deu risadas, apenas respondeu minha afirmação - Conheço uma pessoa muito legal, mas não sei se vai gostar - disposto a conhecer novas pessoas, nem ao menos questionei o motivo pelo o qual possivelmente eu não gostaria e quase que imediatamente, meu amigo me passou seu contato que em uma rede social, dei o primeiro passo dizendo um simples "oi". Aquele oi não foi respondido imediatamente, foi em uma noite que sem cerimônia e aparentemente muita simpatia proporcionou um diálogo gostoso e muito harmonioso que aos poucos foi despertando minha curiosidade e interesse. Em nosso diálogo, nada de tão especial ou extraordinário, apenas uma sintonia foi despertada em cada frase dita e cada pergunta respondida. Aos poucos a ansiedade foi tomando de conta de mim e sempre ao chegar da noite eu olhava para o celular afim de ver um possível "boa noite" em minhas notificações. O diálogo se manteve e algo meio que incomum e um tanto quando irresponsável, veio tomando conta de mim. Um desejo imenso de conhece-lo pessoalmente. Ele não tinha uma agenda muito regular e quase nunca casava com o meu tempo, daí então foi se instaurando uma ansiedade e desejo imenso de conhece-lo mais e mais. O tempo foi se passando e quanto mais nos conhecíamos, mais vontade de estarmos juntos tínhamos, ou pelo menos eu tinha, pois marcamos diversas vezes, mas sempre ele tinha um pretexto ou algo que viesse a desmarcar nosso encontro. Foi nesses encontros desencontrados que, diante do ventilador, percebi que algo dentro do meu coração já estava diferente. Para quem já passou por isso, talvez saberia do que se tratava. Olhar para o celular de instante em instante, está atento a cada notificação, afim de simplesmente falar com a pessoa que te deixa tão bem. Os sintomas do amor, nunca falham e em mim já era fato. O tempo se estendia e nada de eu conhecer a tal pessoa, foi quando me notei apaixonado. Sim, nunca amei dessa forma. Na idade em que eu estava, era um tanto anormal, Era de fato, comportamento para adolescentes, mas foi aí que notei que o amor não tem idades, simplesmente acontece, seja lá como for. Confesso para você, caro leito, que eu particularmente não tinha a certeza se tal ansiedade e sentimento era reciproco, até por que não era esse meu objetivo até então, mas somente de amar propriamente dito. A primeira fase do amor já estava em plena atividade e concluí, eu me apaixonei. Quem já se apaixonou, sabe do que eu estou falando. Seja qualquer forma de amar, a paixão é intensa independente de seu remetente, por esse motivo pouparei de descrever tal sentimento, afinal de contas é um sentimento universal.
Senti que tal carinho,
respeito, atenção e desejo fora correspondido sempre com a mesma intensidade.
Foi encantador! Meu mundo voltou a girar e tudo passou a ter mais um gosto
saboroso da vida. Não éramos de passar a madrugada a dentro, sim, algumas vezes
sim. Mas sempre éramos regados pelo controle, afim de não deixar a euforia
sentimental nos cegar, pois tínhamos a ciência que cada passo deveria ser dado
naturalmente e cuidadosamente. Para quem me conhece, sabe o quanto sou eufórico
e isso para mim foi uma verdadeira aula de comportamento. Fui disciplinado, mas
sempre indo de acordo com meus sentidos e minha necessidade.
Até que chegou a hora
de cobrar um encontro verdadeiro. Foi quando encontrei certa resistência. Confesso
a você, caro leitor, que a primeira coisa que se passou em minha cabeça fora
rejeição. Eu não tinha outra coisa para pensar e acabei pensando nisso. Fiquei
aflito, não nego, mas ainda apaixonado insistir em querer entender. A
explicação era única: o tempo. Pensando em um possível receio por sua parte,
deixei que a melodia das músicas acalmasse essa tensão. Então lhe enviei por
celular uma canção que descrevia claramente meu desejo que acredito eu, tenha
sido compreendido. Foi quando meu ventilador me proporcionou outra reflexão.
Bom, entre um horário e outro, poderia eu surgir como se fosse o contratempo do
cotidiano e quebrar de vez essa barreira em nossas vidas.
Após tantos diálogos,
nos conhecemos um pouco mais. Aquele desejo de nos conhecermos pessoalmente já
era muito grande e como a desculpa do tempo era sempre a mesmo, obviamente que
eu já havia perguntando sua rotina. Foi quando resolvi entrar definitivamente
em seu tempo. Toda semana ele saia de casa para um curso em outra cidade. Para
isso, tinha que pegar o mesmo ônibus todos os dias sempre do mesmo lugar, a
rodoviária. Sem pensar duas vezes, me arrumei e sai de casa determinado a dar
mais um passo nessa relação. Meu proposito foi claro: nos conhecer pessoalmente
e sair dessa rotina do curso para uma noite de aventuras na cidade à fora. Eu
tinha em mente muitas coisas legais que variavam de comer em um lugar bacana e
ir ao samba, que é um grande amor da minha vida. No caminho não pensei em nada,
me senti determinado no que tinha de fazer. Seria tudo ou nada. Pelo celular
perguntei onde ele estava, me respondeu tranquilamente que estava a caminho da
rodoviária. Ao chegar na rodoviária me sentei no banco e esperei um pouco. No
pouco que esperei caiu um pouquinho da ficha, mesmo assim engoli a ansiedade e
enfrentei a realidade que na verdade era um desejo. Ele não custou muito, e em
cinco minutos vejo ele chegando pela minha esquerda. Ao me avistar fez uma
tremenda cara de surpresa que veio logo com a mão na boca, como se não
acreditasse. Eu também estava na mesma situação, não estava muito acreditando
que tive a coragem de fazer aquilo, mas minha paixonite era tamanha que fechei
os olhos e fiz. Ele se aproximou, sentou do meu lado e disse que não estava
acreditando. Eu estava arrumado disposto a sair com ele, ele notou minha
disposição e foi logo perguntando. Rindo e firme na minha decisão falei da
minha má intensão de tira-lo do curso. Ele apenas sorria ainda como se não
acreditasse, mas aí fez uma carinha triste e disse que não podia. Eu fiquei
surpreso, mas me mantive firme em seguida perguntei o motivo. Pois acredita,
caro leitor, que justamente naquele dia era prova final e último dia do seu
curso?! Pois é, a minha ansiedade poderia muito bem ter escutado as diversas
vezes em que ele justificava a falta de tempo, o bendito curso. Mas sabe como
sou insistente, fingindo não estar abado e constrangido, eu firme disse que
mesmo assim eu iria com ele, esperava o curso terminar e sairíamos na noite para
dormirmos juntos. Ele deu outra risada, veio novamente com a mão a boca como se
continuasse a não a creditar e perguntou se realmente eu estava disposto a ir,
eu claro disse que sim. Rimos um pouco, conversamos também e depois que
realmente eu vi que não tinha como eu ir com ele, me despedi já marcando um
outro dia. Olhei em seus olhos e falei da minha frustração em não ganhar um
beijo em nosso primeiro encontro, ele falou o mesmo. Senti naquele momento
nosso desejo em uma só sintonia, então descobrimos que tínhamos algo em comum.
Ele ficou surpreso com minha ousadia e eu ficaria também surpreso com a ousadia
dele, pois acredite se quiser, ele um tanto o quanto tímido me fez uma proposta
que me deixou tão surpreso quanto ele estava ao me ver.
O certo é que queríamos
nos beijar, então ele me chamou até o banheiro. Fiquei trêmulo, mas o segui.
Ele entrou no boxe e logo me chamou, então eu entendi, e sem pensar duas vezes
eu fui. Quando entrei, olhei em seus olhos, ignorei nosso estado e o lugar,
fechei os olhos e o beijei. Poderia ter sido em qualquer outro lugar, mas quem
pode escolher o lugar perfeito se não o próprio amor. Se o amor não escolhe o
amado, porque o beijo escolheria o lugar? Me desliguei por alguns segundos da
realidade e me conectei definidamente ao seu coração e um simples beijo que eu
não esqueceria jamais.
Não demoramos muito,
foram poucos segundos que significaram muito para mim. A saída foi um pouco
ariscada, mas no estado em que eu estava, para mim ser preso por atentado ao
pudor era o menor dos meus problemas. Definitivamente eu estava em estado de
êxtase. Nos despedimos, ele pegou o ônibus e eu voltei para casa, feliz como há
muito tempo eu não estava. No caminho eu firmei a certeza que naquele momento,
simples e exótico mudaria minha vida, e mudou. A caminho de casa diversas
notificações no celular ainda naquela noite eu receberia. O assunto não poderia
ser outro se não o nosso maluco encontro. A ousadia foi então se transformando
em desejos, mas sempre o destino viria para complicar um pouco nossas vidas.
Eu havia me envolvi em
um grupo cultural da minha cidade que pouco a pouco vinha tomando meu tempo. O
tempo se passou e justamente ainda no mês do nosso primeiro encontro, nossas
emoções ainda estravam a flor da pele. O tempo dele, porém havia melhorado e possibilitou
possíveis novos encontros. No entanto era eu quem dificultava, não porque eu
queria, óbvio, mas porque aquele bendito grupo precisava de mim. Se me
perguntares porque não o priorizei, talvez eu teria a mesma resposta que ele
teria se a pergunta fosse feita a ele.
Por diversas vezes o
convidei para estar presente no local onde o grupo ensaiava, apenas com intuito
de me visitar. Ele já estava morando mais próximo de mim e já estava com o
tempo mais flexível. Inúmeras vezes parei para olhar para a porta com a
esperança de encontra-lo novamente, mas era sempre o vazio que vinha me
frustrar. No celular conversamos até tarde da noite e a cada diz nos
percebíamos mais apaixonados. Mas faltava realmente era a regularidade em
nossos encontros. Até que certa noite de ensaios, vejo de forma tímida se
aproximando até mim. Era de fato ele, e naquele momento fiquei mais nervoso e
encantado. Cheguei sem jeito e o abracei. Ele ficou no cantinho sentado olhando
para mim. Repetiu essas visitas algumas vezes e foi maravilhoso para mim. Quase
sempre não conseguíamos conversar. Ele chegava sempre depois do inicio e sai
antes do fim, impossibilitado qualquer outro diálogo. Parece loucura, mas isso
me aproximava mais dele, confesso que não sei bem explicar o motivo, mas era
diferente. Certa noite, larguei o grupo
e o segui até a saída. Chegando la tentei impedir sua saída, aproveitando a
discrição do lugar, dei um abraço forte a carinhoso. Em seguida sem pensar duas
vezes saí em sua companhia, afim de deixa-lo em casa.
O caminho parece curto,
e nem era tanto, mas o prazer de estar perto nos proporciona isso. Entre
conversas e risadas, a caminho nos sentimos cada vez mais próximos e mais
íntimos. Sua voz suave encantava-me de uma tal forma que me fazia pensar na
possibilidade de dormir escutando seus sussurros ou meu ouvido. Ele falava,
falava e não parava de pensar em um futuro próximo, Sim, caro leito, eu poderia
até está adiantando algo, eu poderia até está vendo um futuro não provável, mas
meu coração estava tão sedente de amor que pouco me importava o tempo, pois eu
guardava comigo a certeza de mais cedo ou mais tarde estarmos juntos em seus
braços. O diálogo, não se estendeu muito e em poucos minutos já estávamos a uma
rua de sua casa. Sentamos em um quadrado de cimento, quase parecido com um
banco e continuamos a conversar. Não sei ao certo de que se tratava nosso
diálogo, mas confesso a vocês que o assunto naquele momento era o menos
importante quando se bastava para nós só estar pertinho um do outro. Por
incrível surpresa, meu amigo, o mesmo que me passou o contato dele, estava
passando na rua e nos avistou, e sem cerimônia nos interrompeu para reverenciar
esse possível casal. Foi meio confuso, mas bem divertido. Ao fim, fui deixa-lo
na porta de sua casa que tinha um corredor escuro antes da porta de entrada.
Devagar entramos e nos aproximamos. Nos beijamos calmamente afim exalar com
muita precisão cada desejo que tínhamos contido um pelo outro. No escuro,
sentíamos iluminados mais uma vez e cada sensação parecia única. Os batimentos
acelerados marcavam o ritmo dos nossos corações que não deixaria de alguma
forma sair da harmonia. Foi encantador. Nos beijamos mais uma vez e repetidas
vezes a fim de eternizar aquele curto momento de felicidade.
A parte dali nossa vida
oficialmente mudou. Nossos corações se comunicaram de tal forma que não existia
diálogo que não houvesse sintonia. Conversamos sobre o amor, sobre os sonhos,
sobre as estrelas que por ventura, sempre eram nossas principais testemunhas em
abraços intermináveis de amor. Seguimos como todo casal, forte, firme,
atencioso e extremamente carinhoso. Como todos já sabem esse meu jeito eufórico
foi tomado por uma calmaria sem tamanho, transformando minhas prioridades e
atividades comuns e o levando ao patamar supremo de amor. A cada dia o meu
coração sentia-se conformável, mais fiel e mesmo diante de um conturbado começo
eu me notava mais próximo, mas simples e mais certo que o amor supera qualquer
expectativa, mesmo diante de quem se julgava tão profissional. Daí notei que o
amor, de fato é pra amadores.
Felicidade é uma palavra complicada de se definir e extremamente complexa na sua denominação. Haja vista que por muitas vezes já tivermos a oportunidade de dizer em algum momento da vida que estava "feliz". Parado no tempo, mais precisamente em frente ao meu ventilador foi que refleti sobre minha vida, o rumo que se seguia e até onde pude chegar. Tirei uma série de conclusões sobre a sobre a minha vida. Então, para que a história comece de forma clara em sua explicação, irei começar do ponto de partida da palavra felicidade. Felicidade e realização naquele momento se misturavam em minha vida. Nem ao menos tive tempo para separar o joio do trigo e por isso que tal definição fora, de certo modo, mal interpretada. Eu vivia em um momento o qual julgava feliz e realizado, em minha melhor fase financeira e profissional. Me deleitava com amigos em festas. Poderia até ser que o dinheiro não era lá uma fortuna e não era, mas também não era um problema para quem tinha bons lug...
Nasce um amor e nasce junto com ele um despertar alucinante que pouco a pouco veio me fazer questionar diante do espelho quem eu realmente era. Foi nesse espelho que olhei para aquela imagem, que era eu, e por várias e várias vezes me perguntei: _Quem sou? – Poderia ser que, uma vez por outra eu ousasse responder, mas diante do que estava crescendo em mim, eu realmente não teria a resposta certa. Era o amor que estava brotando no meu coração, como se brotasse uma linda flor em um terreno seco e sem vida. E quem tratava de regar todos os dias, ou melhor, todas as noites era Erick. Aquele menino era diferente de todo tipo de pessoa que até aquele momento eu havia me relacionado. O seu sorriso atraente, sua voz era doce, o seu comportamento era meigo, sem ter a necessidade de forçar qualquer gesto. Suas palavras eram carinhosas, seu abraço era reconfortante. Confesso que até tento me lembrar do que tanto conversávamos, mas não eram seus olhos que me chamavam a atenção. Não julgue m...
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