Pular para o conteúdo principal

Capítulo 4 - O amor educa


Nasce um amor e nasce junto com ele um despertar alucinante que pouco a pouco veio me fazer questionar diante do espelho quem eu realmente era. Foi nesse espelho que olhei para aquela imagem, que era eu, e por várias e várias vezes me perguntei: _Quem sou? – Poderia ser que, uma vez por outra eu ousasse responder, mas diante do que estava crescendo em mim, eu realmente não teria a resposta certa. Era o amor que estava brotando no meu coração, como se brotasse uma linda flor em um terreno seco e sem vida. E quem tratava de regar todos os dias, ou melhor, todas as noites era Erick.
Aquele menino era diferente de todo tipo de pessoa que até aquele momento eu havia me relacionado. O seu sorriso atraente, sua voz era doce, o seu comportamento era meigo, sem ter a necessidade de forçar qualquer gesto. Suas palavras eram carinhosas, seu abraço era reconfortante. Confesso que até tento me lembrar do que tanto conversávamos, mas não eram seus olhos que me chamavam a atenção. Não julgue meu comportamento como desnecessário, caro leitor, tudo o que está escrito nesse texto de fato aconteceu.

Devido ao nosso horário, que quase nunca se conciliavam, marcávamos nossos encontros quase sempre após às 23h ou até as 1h da manhã do dia seguinte. A fria madrugada nunca era suficiente para aquietar meu coração tão aquecido por aquele sentimento. Eu me sentia seguro do que estava fazendo, por mais que a insegurança da cidade me provasse o contrário. Devo eu ter escapado por pouco de grandes desventuras, mas quem há de prender um coração como o meu?

Sua casa ficava em uma rua quase que deserta. Não por falta de casas, mas pela ausência dos moradores, que àquela hora já estava recolhido em seus aposentos. Era um apartamento e lá havia uma porta que se tivesse aberta daria acesso a um corredor que bastava alguns passos dava de cara com a sua janela do seu quarto.  Bastava um assovio que logo ele descia ao meu encontro. Óbvio que vez por outra eu brincava de ser príncipe e o chamava de Rapunzel, fazendo referência a sua janela. As noites eram tranquilas e tudo tínhamos um assunto. Brincávamos um com o outro e vez por outra a conversa era interrompida com um beijo. Eram beijos quentes e com uma profundidade de amor incalculável. Quando fecho meus olhos, ainda sinto tocar de suas mãos em meu rosto e o carinho com que sempre tratava. Assim se passou os dias, semanas, até que no dia 24 de abril de 2015 e fiz o meu pedido de namoro. Nas mesmas madrugadas de frio, porém não mais nas calçadas e sim nas escadas do apartamento. Lembro-me como toda exatidão. Olhei em seus olhos, dei um beijo e sem enrolação disse as palavras que todo romântico diria a quem tanto ama.

__Quer namorar comigo? – Engana-se que aquele momento romântico fora encerrado com um lindo sim. Ele pediu para pensar. A verdade é que não me abalei, pois senti uma sintonia em nosso coração que nunca eu havia sentido por mais ninguém. Ele pediu para esperar, mas eu sabia que seu sorriso e suas explicações era apenas uma questão de tempo.  Notei naquele olhar doce que existia um menino receoso com o amor e também com o sexo. Vez por outra quando nossos abraços acabam esquentando mais do que devia, ele segurava em minhas mãos com tamanha resistência, como se tivesse se protegendo de uma agressão. Daí eu imaginei que existia uma insegurança sem tamanho, no entanto eu estava enganado. Aquele doce menino, apenas estava dando ao tempo o privilégio do amadurecimento, pois nossa relação era extremamente sentimental e romântica. Tudo foi vivido com um lindo momento de descoberta. O sexo, apesar de ser parte importante de um relacionamento a dois, precisava também que seu devido tempo fosse respeitado.

O tempo foi respeitado e pouco a pouco aquelas mãos fora me ensinando que um toque é tão importante como um beijo, levando nossos corpos ser um só, sem que haja logo a necessidade do sexo. Então eu aprendi outra forma de amar, respeitando o tempo. Tudo era novo para mim, principalmente das aventuras que eu havia vivido no passado, descobri naqueles olhos que me envolvia e naquela boca que me beijava a doçura de ser delicado e romântico com o corpo. Nem sei se ele também tivesse aprendido algo naquele momento, mas pude perceber que nossas mãos pouco a pouco eram levemente reeducadas, como se estivesse preparando o caminho para nossa primeira noite de amor. Proporcionando uma verdadeira lua de meu em um céu estrelado, iluminando dois corações iluminados.

O amor em nossos corações pode crescer e viver religiosamente em seu tempo, dando sempre um passo de cada vez. Claro que não era mil maravilhas, mas para que seja justo e necessário, nosso relacionamento também passou por tribulações que nos proporcionou melhor entendimento dos dois. Mas ainda era pouco que pudéssemos dizer que vivemos tudo. Primeiramente, aos poucos fui conquistando e sendo conquistado pelos dois amigos que dividiam a casa com ele, depois me senti um pouco mais de casa. Daí então passei a fazer parte da rotina de suas vidas. Todas as madrugadas eram sagradas minha presença. Vez por outra, devido ao grupo que eu coordenava, eu me ausentava do meu compromisso sentimental, mas nada era tão distante que a rede social não pudesse nos aproximar. Assim por diversas vezes beijei sua boca, olhei em seus olhos e o abracei como belos namorados, à luz da tímica lua da madrugada, poetizando nossos sonhos e romantizando nossos desejos.


Certa vez o vi mais distraído do que o comum. Quis questiona-lo, mas fiquei com receito de estar invadindo algo em sua vida que precisasse de espaço. Já fazia alguns meses de namoro, mas meu medo era sufoca-lo, mesmo que eu desejasse ser sufocado. Uma, duas ou três noites seguidas seu comportamento estranho chamava ainda mais minha atenção. Pensei mil coisas, imaginei milhões de hipóteses até que me vi completamente curioso, então o perguntei, e sem rodeios. Ele olhou nos meus olhos, baixou a cabeça e rapidamente peguei em seu queijo o levantei. Ele voltou a olhar nos meus olhos e me disse que tinha uma namorada. Eu engoli seco aquelas palavras, mas me mantive firme afim de não demostrar qualquer expressão errônea no momento. Eu tentei encontrar explicações, como se eu tivesse que me explicar. Aleguei que isso são coisas da vida e que nosso amor aconteceu tão naturalmente que uma coisa foi levando a outra e por aí vai. Então voltou a baixar o queijo, foi quando eu perguntei se ainda havia coisas para me contar. Foi quando ele me falou que ela estava esperando um filho dele. Acredite, caro leitor, eu reagi de forma totalmente inesperada e nada televisiva. Tornei a olhar em seus olhos e disse: “__tudo bem. ” – Mas não era isso que eu queria dizer. Eu estava gritando por dentro, xingando minha vida com palavrões exageradamente agressivos, não ele, mas a mim mesmo. Eu estava, com o perdão da palavra, puto! Indignado em saber que não podia ser perfeito em nossas vidas. Me veio um filme projetado do futuro em questão de segundo. Brigas, discussões, ciúmes e por fim o próprio fim de nosso relacionamento. Enquanto toda essa catástrofe estava sendo projetava na minha mente, por fora eu esbanjava respeito, acolhimento e compreensão. Até que em um momento meu pensamento e minhas palavras em fim voltaram a ter sintonia e falei as palavras que nunca me arrependi em dizer:

__Você agora é pai e será responsável pelo bem mais precioso em sua vida. Pense, reflita e sempre dê prioridade a seu filho. Não quero ser um fardo ou lhe deixar contra a parede, apenas priorize seu filho e não se martirize sobre nossa relação. Deixe que o tempo ditará nosso destino. ” – Até hoje não me arrependo de nenhuma virgula do que disse, pois de fato é a mais pura verdade. No entanto não era com isso que eu deveria me preocupar, o problema na verdade tinha outro nome.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Capítulo 3 - O primeiro Beijo

Deixei minha angustia de lado passei a me importar pouco com o tempo. Descobri sonhos, desejos e relações. Não amei, nem fui amado, e quando amei fui desprezado, mas dessa vez feliz, pois guardava comigo a certeza de que o amor pode ser poético, mas sempre será justo. E assim, tão normal segui. Segui em tantos cominhos que alguns até me perdi. Até que em uma conversa com um amigo, fui direto ao declarar - "Quero amar alguém!" - Surpreendentemente, esse amigo não deu risadas, apenas respondeu minha afirmação - Conheço uma pessoa muito legal, mas não sei se vai gostar - disposto a conhecer novas pessoas, nem ao menos questionei o motivo pelo o qual possivelmente eu não gostaria e quase que imediatamente, meu amigo me passou seu contato que em uma rede social, dei o primeiro passo dizendo um simples "oi". Aquele oi não foi respondido imediatamente, foi em uma noite que sem cerimônia e aparentemente muita simpatia proporcionou um diálogo gostoso e muito harmonios...

Capitulo 2 - O ventilador

Felicidade é uma palavra complicada de se definir e extremamente complexa na sua denominação. Haja vista que por muitas vezes já tivermos a oportunidade de dizer em algum momento da vida que estava "feliz". Parado no tempo, mais precisamente em frente ao meu ventilador foi que refleti sobre minha vida, o rumo que se seguia e até onde pude chegar. Tirei uma série de conclusões sobre a sobre a minha vida. Então, para que a história comece de forma clara em sua explicação, irei começar do ponto de partida da palavra felicidade.   Felicidade e realização naquele momento se misturavam em minha vida. Nem ao menos tive tempo para separar o joio do trigo e por isso que tal definição fora, de certo modo, mal interpretada. Eu vivia em um momento o qual julgava feliz e realizado, em minha melhor fase financeira e profissional. Me deleitava com amigos em festas. Poderia até ser que o dinheiro não era lá uma fortuna e não era, mas também não era um problema para quem tinha bons lug...